Reforma da Previdência Rural motiva audiência pública na Alepe

Em 17/04/2017
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A aposentadoria dos trabalhadores rurais, uma das conquistas da Constituição Federal de mil novecentos e oitenta e oito, está ameaçada caso seja aprovada a Reforma da Previdência proposta pelo Governo Federal. Esse foi o mote de todos os oradores participantes da audiência pública promovida nessa segunda pela Comissão Especial que trata do tema na Alepe. Participaram do encontro federações e sindicatos de trabalhadores rurais, movimentos sociais, organizações da sociedade civil e representantes das esferas municipais, estadual e federal de Pernambuco.

O senador Humberto Costa, do PT, foi um dos políticos presentes no encontro. Ele defendeu a manutenção das regras atuais. “Os trabalhadores rurais têm direito a se aposentar desde que comprovem quinze anos de trabalho na agricultura e tenham sessenta anos de idade, e isso para receber um salário mínimoFoi um direito conquistado, é um direito de cidadania, e por isso nós achamos que não deve ser mexido, deve ser mantido.”

O deputado federal Sílvio Costa, do PT do B, afirmou que a proposta do Governo Temer é prejudicial aos trabalhadores do campo, em especial na entressafra. “Esse governo de Michel Temer está querendo que o trabalhador rural pague uma contribuição de cinco por cento do que ele ganhar. Acontece que aqui, por exemplo, na Zona da Mata pernambucana, você tem um período de entressafra onde lamentavelmente muitos trabalhadores sequer têm emprego. Como é que o cara vai poder pagar quarenta e seis reais por mês, quando às vezes ele não tem nem emprego?”

O coordenador executivo da Articulação do Semiárido, Alexandre Pires, ressaltou que as mulheres e os jovens serão os mais afetados pela mudança. “As mulheres vão precisar trabalhar muito mais do que elas já trabalham para poder se aposentar, e nós não avaliamos isso como algo justo, considerando a natureza dos trabalhosA reforma da Previdência como está colocada, ela vai gerar muito mais tempo para a juventude, e vai demorar muito mais tempo para a juventude, que um dia vai ficar idosa, se aposentar, e isso desestimula os jovens a permanecer no campo.”

O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Pernambuco, Doriel Barros, lembrou que a mobilização de hoje compõe o Grito da Terra, um movimento local e nacional dos trabalhadores do campo. Ele comentou a pauta dos camponeses no Estado. “Entregamos uma pauta ao governador Paulo Câmara no último dia quatro, e hoje também, com esse Grito da Terra, nós queremos uma resposta concreta a essa pauta, que trata de questões de infraestrutura, que trata de questões de segurança, que trata de questões de apoio nesse momento emergencial, que as famílias estão necessitando de suporte forrageiro para os animais, água para a população do Agreste e do Sertão, que passam por um momento de dificuldade.”

O presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência, deputado Sílvio Costa Filho, do PRB, espera que a audiência dessa segunda ajude a mobilizar a bancada de Pernambuco contra a reforma. “Nós entendemos que as reformas para o Brasil são importantes, são, mas não essa que foi encaminhada pelo presidente da República, e nós torcemos que os deputados federais e os senadores possam se sensibilizar e votarem contrários a essa reforma que foi encaminhada”.

Após o debate, os trabalhadores rurais que se reuniram na Alepe para participar da audiência pública seguiram em passeata até o Palácio do Campo das Princesas.­­­­­­­